A procura do Álvaro, que gerou o
nosso Álvares/Alves
Em 2012, estive
duas vezes em Portugal. Na primeira passei uns dias no Porto. Mas não consegui contatar
alguém da família, ir a Paços de Ferreira era complicado, não tinha linha de
trem até lá. Voltei frustrada, pensando em um retorno mais longo.
Fins de junho,
voltei e desta vez por 3 meses. É interessante a sensação de sermos uma
família, antepassados em comum, memórias a compartilhar. Lá estando fui
inspirada pelo primo do meu pai, que conheci no Brasil, o Cônego Dr. Ângelo
Alves, que foi ao Arquivo Distrital do Porto, e me deu a certidão de nascimento
do meu avô Belmiro Alves e um presente inesperado o batismo do meu bisavô
Anselmo Ferreira Coelho, pai da minha avó paterna, do qual só sabia o nome e
ser português.
Ao voltar,
iniciei a fazer a genealogia da nossa família. Precisava dar um nome ao
projeto, e não sabia bem como chamar. Optei pelo óbvio, “Família Alves de Paços
de Ferreira”. Somente recentemente, me dei conta que usamos este sobrenome desde
meados do séc. XVII, até onde consegui documentar.
Este sobrenome é chamado de patronímico, que
significa que se origina do nome do pai ou de um descendente masculino. O uso do patronímico
foi um procedimento muito comum em todas as comunidades humanas para distinguir
um indivíduo dentro de seu grupo, no qual havia inúmeras pessoas com o
mesmo prenome ("nome de
batismo" ou "nome próprio"). Assim, "José o filho de
João" ou "Antonio o filho de André". Por economia de palavras,
passou-se a usar "José de João" e "Antonio de André" e,
muitas vezes, suprimiu-se também a preposição "de". Desta forma se
explicam os inúmeros sobrenomes cuja origem
imediata e evidente é um prenome, como
"Anes" ou "Eanes" (filho de João), "Fernandes"
(filho de Fernão/Fernando), "Dias" (filho de Diego/Diogo),
"Rodrigues" (filho de Rui/Rodrigo), "Gonçalves" (filho de
Gonçalo), “Alves/Álvares” (filho de Álvaro) etc.
Então comecei
minha busca pelo nosso “Álvaro”. O
último Álvares documentado, teria nascido no local chamado “Bande” que se
localiza em Carvalhosa, Concelho de Paços de Ferreira. Sabemos o nome António
Álvares, pai solteiro, no assento de batismo do filho Manoel. Procurei o
significado de Bande, o mais provável foi encontrado no site: https://hridiomas.com.br/origem-da-palavra-banda/ - Banda de origem controversa, podendo ter
vindo do provençal bande, e este do gótico bandwa,
estandarte, também origem de bando, adaptado do latim bandum,
senha, porque os exércitos godos se reconheciam mediante senha.
“Em
os trinta e hum dias do mes de maio de seis sentos e noventa e coatro annos
baptisei e puz os sanctos oleos a Manoel, fo de Ant° alvares estudante e de Mª
solteirª do lugar de Carral fª de MªAnna forão padrinhos Antº fº de Anna
Ferreira vª de Rainoza e por verdade fiz este termo. Era supra o Pe Francisco
Ferreira”
O António
Álvares, por enquanto, fica como o mais antigo. Os livros de Carvalhosa começam
em 1616, não encontrei nenhum Álvaro e poucos Álvares, possível estarem em
outra freguesia.
Segue
a ordem cronológica desde o António Álvares:
António
Álvares – n. cerca de 1674, pouco mais
pouco menos. No assento do batismo do filho Manuel, diz ser “estudante” ou algo
parecido. Bande, Carvalhosa-Paços de
Ferreira
Manuel Álvares –
n. 31/05/1694, Bande, Carvalhosa. Os pais não casaram até então e ele também
não casa, é pai solteiro, filhos com Maria Ferreira.
António
Ferreira Álvares – n. cerca de 1725 Monte
Córdoba, Santo Tirso c.c Joana Machado
José
Álvares Machado – n. 29/03/1762 Eiriz,
Paços de Ferreira c.c Maria Nunes Pacheco ela era de Raibosa, Carvalhosa.
José Álvares Nunes –
n. 28/09/1807 em Seixal, Carvalhosa c.c Maria Nunes
Bernardino Álvares –
n. 20/11/1841 em Funtão, Carvalhosa c.c Maria Ferreira Neto
António Alves –
n. 30/05/1871 em Peias, Carvalhosa, c.c Lia Dias de Paços de Ferreira
Esta
foto é de António Alves, meu bisavô, e até onde tenho conhecimento, não temos
foto de ninguém mais antigo. Caso alguém tenha fotos antigas me envie. Teve 10 filhos, já tratados em outro artigo do
blog. O meu avô, Belmiro Alves, já tem trinetos e ainda usamos o sobrenome
Alves. Contando com meus sobrinhos netos, "Importante, usando o sobrenome Alves". Temos
12 gerações de “Alves”. Pelos batismos podemos dizer que, “somos os Alves de
Carvalhosa”.
A pesquisa ainda
não foi concluída, breve terei mais informações.
Igreja de São João Evangelista de Eiriz
Igreja de São Salvador de Monte Córdova

























